A vira da política e a leitura do primeiro turno mudaram as apostas do mercado, com aumento da expectativa de queda da Selic, e isso reacendeu o apetite por ativos de renda variável.

Os fundos imobiliários também reagiram, com o Ifix, índice de referência da classe, fechando os dois últimos pregões em alta de mais de 1%.

Apesar do movimento positivo, analistas pedem cautela e recomendam fundos com portfólios robustos e geração de caixa previsível, para atravessar a volatilidade eleitoral, conforme informação divulgada pelo Seu Dinheiro.

Por que a queda da Selic favorece FIIs

A expectativa é que, após o período de eleições, o Comitê de Política Monetária, Copom, reduza a taxa básica de juros por aqui, que está em 13,75%, o que tende a beneficiar fundos imobiliários que dependem da atratividade do fluxo de renda.

Menos juros significa menor competição entre renda fixa e renda variável, e no caso dos FIIs isso pode refletir em valorização de cotas e manutenção ou melhora de dividend yields, especialmente em fundos com contratos longos e alta ocupação.

Como os analistas recomendam manter a carteira

Com tantas variáveis em jogo, os investidores ainda precisam manter uma posição mais defensiva na carteira, focando em fundos com receitas recorrentes e gestão qualificada.

Segundo Caio Araujo, analista da Empiricus Research, “até que haja mais clareza sobre o cenário político e econômico para os próximos anos, os investidores podem exigir um prêmio maior para os ativos locais”, frase que ressalta a necessidade de cautela.

VILG11, por que aparece entre os preferidos

Segundo Flávio Pires, analista do Santander, o VILG11 é o FII de preferência do banco para o segmento logístico, por combinar portfólio relevante e previsibilidade de receita.

O fundo possui um portfólio de 12 galpões distribuídos por sete estados, totalizando uma área bruta locável, ABL, própria de aproximadamente 436 mil metros quadrados, e apresenta patrimônio líquido de R$ 1,63 bilhão e 149 mil cotistas.

O VILG11 se destaca por ter alta taxa de ocupação, de aproximadamente 93%, contratos de longo prazo, com 87% dos vencimentos programados para depois de 2028, e recentes movimentações de reciclagem de ativos, incluindo a aquisição de um galpão em Campinas com cap rate de 9,7%.

O Santander estima um dividend yield de cerca de 10,60% para os próximos 12 meses, e observa ainda que o FII negocia com 15% de desconto em relação ao valor patrimonial, fatores que sustentam a recomendação.

JSRE11, desconto e oportunidade

O JSRE11, fundo de regime híbrido, também aparece entre os mais indicados, em parte por registrar um dos maiores descontos do mercado, de cerca de 40% em relação ao valor patrimonial.

A XP Investimentos classifica o portfólio como de elevada qualidade, e o JSRE11 possui R$ 2,10 bilhões de valor patrimonial, mais de 82 mil cotistas e carteira de inquilinos diversificada, com mais de 64 locatários.

Os analistas destacam que o nível de ocupação do portfólio é de 99,5% e que os contratos de aluguéis possuem potencial de reajuste por meio de renovações e revisões, com gestão qualificada e histórico consistente de geração de valor.

A XP estima um dividend yield de cerca de 10,40% para os próximos 12 meses, com manutenção do atual patamar de distribuição de proventos nos próximos meses.

O que isso significa para quem quer investir

Investidores que desejam aproveitar a perspectiva de queda da Selic devem priorizar FIIs com receitas previsíveis, contratos de longo prazo e gestão ativa, para reduzir riscos em um cenário eleitoral incerto.

Fundos como VILG11 e JSRE11 reúnem atributos valorizados pelos analistas, como elevada ocupação, portfólios diversificados, descontos patrimoniais relevantes e projeções de dividend yield em torno de 10%, elementos que podem tornar a entrada mais atraente, sem abrir mão da defesa do capital.

Em todos os casos, a recomendação é avaliar o perfil de risco, horizonte de investimento e acompanhar a evolução das taxas de juros e do cenário político, já que essas variáveis vão definir o timing ideal para montar ou ampliar posições em FIIs.


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