IGP-DI avança 1,50% em setembro, com forte pressão de commodities, combustível e energia, elevando custos ao produtor e ao consumidor, segundo a FGV
O IGP-DI subiu 1,50% em setembro, mostrando aceleração relevante em comparação com a alta de 0,06% registrada em agosto.
Com esse resultado, o indicador acumula avanço de 3,72% desde o início de 2026 e de 3,80% nos últimos 12 meses.
A aceleração foi puxada pelos preços ao produtor e ao consumidor, com destaque para alimentos, energia e gasolina, conforme informação divulgada pela FGV.
Pressão dos preços ao produtor
O Índice de Preços ao Produtor Amplo, IPA, que representa a maior parcela do IGP-DI, acelerou de 0,10% em agosto para 1,95% em setembro.
As matérias-primas brutas subiram 2,94%, enquanto os produtos agropecuários avançaram 3,06% no mês, impulsionando a alta do IPA.
Entre as maiores influências positivas, o farelo de soja subiu 11,47%, a soja em grão avançou 7,53% e o milho teve alta de 4,69%, além da gasolina automotiva, que aumentou 11,65%.
A carne bovina também pressionou, com avanço de 2,99%, enquanto algumas quedas atenuaram a alta, como o café em grão, que caiu 9,33%, a banana, que recuou 10,21%, e os adubos e fertilizantes, com redução de 1,88%.
Efeito no bolso do consumidor
O Índice de Preços ao Consumidor, IPC, passou de queda de 0,37% em agosto para alta de 0,67% em setembro, com cinco das oito classes de despesa registrando aceleração.
Habitação apresentou a maior mudança, saindo de queda de 1,21% para alta de 1,99%, enquanto alimentação passou de queda de 0,47% para alta de 1,00%, e vestuário foi de queda de 0,58% para avanço de 0,30%.
Entre os itens que mais pressionaram o bolso, o tomate disparou 29,64% e a batata-inglesa ficou 23,09% mais cara. A tarifa de eletricidade residencial avançou 8,76%, revertendo a queda de 8% observada em agosto, movimento que refletiu o fim dos efeitos dos descontos relacionados ao Bônus de Itaipu.
Construção e INCC, leitura para setores
Na construção, o Índice Nacional de Custo da Construção, INCC, desacelerou de 0,66% em agosto para 0,22% em setembro, apontando menor pressão neste segmento.
O custo da mão de obra perdeu força, passando de alta de 1,12% para 0,32%, enquanto materiais e equipamentos desaceleraram de 0,33% para 0,14%.
Em suma, a leitura da FGV mostra que a alta do IGP-DI em setembro foi comandada por custos ao produtor, sobretudo em commodities e gasolina, e por itens sensíveis no consumo doméstico, como alimentos e energia, com impactos distintos por setor.

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