IGP-DI sobe 1,50% em setembro, com commodities agrícolas e energia como principais vetores da alta, e índice acumula 3,80% em 12 meses, segundo a FGV

O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna, IGP-DI, acelerou em setembro e registrou alta de 1,50%, depois de avanço de 0,06% em agosto.

O resultado levou o indicador a acumular alta de 3,80% em 12 meses, e deixou clara a influência das commodities agrícolas e dos preços de energia no mês.

Os dados e explicações sobre os componentes do índice foram divulgados pela Fundação Getulio Vargas, conforme informação divulgada pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Pressão das commodities no IPA

O componente que mais pesa no IGP-DI, o Índice de Preços ao Produtor Amplo, IPA-DI, que representa 60% do índice geral, subiu 1,95% em setembro, ante alta de 0,10% no mês anterior.

Conforme explicou Matheus Dias, economista do FGV/Ibre, “No IPA, destacou-se a alta das commodities agrícolas, com elevações expressivas da soja, do farelo de soja e do milho, além do reajuste da gasolina automotiva”.

Impacto sobre o consumidor e a energia

O Índice de Preços ao Consumidor, IPC, que tem peso de 30% no IGP-DI, registrou alta de 0,67% em setembro, revertendo a queda de 0,37% observada em agosto.

Segundo Matheus Dias, “A pressão partiu sobretudo da habitação, refletindo o aumento da tarifa de eletricidade residencial após o fim dos efeitos de descontos concedidos por conta do Bônus de Itaipu, e dos alimentos in natura, com destaque para as altas do tomate e da batata-inglesa”.

O Bônus de Itaipu é um valor distribuído a milhões de consumidores residenciais e rurais todo ano após apuração do saldo registrado na conta de comercialização da energia da usina hidrelétrica binacional no ano anterior, e seu fim dos efeitos de desconto pressionou tarifas residenciais.

Construção e panorama anual

O Índice Nacional de Custo de Construção, INCC, desacelerou, passando de alta de 0,66% para 0,22% em setembro, contribuindo para um ajuste no componente de construção do IGP-DI.

No conjunto, a aceleração do IGP-DI em setembro reflete a combinação de reajustes em preços ao produtor, principalmente de commodities agrícolas e combustíveis, e a transferência de custos para preços ao consumidor, em especial por eletricidade e alimentos in natura.

O IGP-DI consolida a leitura de evolução dos preços entre produtor, consumidor e construção, com apuração entre o primeiro e o último dia do mês de referência, e os números divulgados pela FGV servem como termômetro para compreender pressões inflacionárias recentes.


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