Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e coordenadora da pauta econômica do plano de governo de Flávio Bolsonaro, ganhou destaque como o principal reforço feminino do projeto presidencial do senador.
Ela tem defendido uma agenda prática para as mulheres, com foco em autonomia financeira, e critica com veemência o governo atual, apontando retrocessos sociais e econômicos.
As declarações e o diagnóstico econômico constam em entrevista concedida a VEJA, que também relata o mapeamento de ativos e a movimentação política em torno de sua filiação ao Republicanos, conforme informação divulgada pela VEJA.
Perfil e papel na campanha
Daniella Marques entrou no radar como uma peça-chave para ampliar o apelo feminino da candidatura de Flávio Bolsonaro, sendo vista internamente como potencial vice ou futura ministra.
Ela foi ex-presidente da Caixa, liderou duas supersecretarias no final da gestão de Jair Bolsonaro, e no fim do governo fundou o grupo Pra elas, dedicado à autonomia financeira das mulheres.
No início do ano, Daniella filiou-se discretamente ao Republicanos, movimento que pode facilitar costuras políticas, especialmente com o deputado Marcos Pereira, presidente da legenda.
Críticas a Lula e declarações contundentes
Em entrevista a VEJA, Daniella criticou o ex-presidente Lula com frases duras, afirmando que ele prometeu “picanha para o povo e entregado churrasquinho de gato”, e disse que o atual governo está “levando a economia do país para o abismo”.
Ela também declarou, sobre o tratamento às mulheres, “Vivo num país onde um presidente fala que mulher tem grelo duro e que autoriza espancar mulher em dia de jogo do Corinthians. Isso, sim, é radicalismo e desrespeito total”, e acrescentou que “Sob o governo Lula, o país registrou o primeiro ano mais letal contra as mulheres desde 2015. É esse governo que as mulheres deveriam estar rejeitando. A gente quer levar soluções concretas para problemas reais das mulheres e sair desse discurso hipócrita”, em suas palavras à publicação.
Plano econômico e o mapeamento de ativos
Daniella integra um núcleo de conselheiros do chamado Zero Um que, segundo VEJA, contou com a participação do ex-chefe do Banco Central, Roberto Campos Neto, para mapear ativos públicos.
O grupo, conforme a reportagem, mapeou até 3 trilhões de reais, entre estatais, penduricalhos no serviço público e imóveis da União que estariam largados ao “descaso absoluto”, indicação do tamanho das tesouradas econômicas que a campanha promete em caso de vitória.
Na narrativa da equipe, as medidas seriam voltadas para ajuste fiscal e maior eficiência na administração dos bens públicos, com propostas apresentadas como soluções concretas para recuperar a saúde das contas.
Estratégia política e cenário para a vice
Dentro da campanha, Daniella tem atuado como articuladora em eventos com eleitoras de direita, tomando o papel de mestre de cerimônia em encontros promovidos pelo candidato.
Apesar do burburinho sobre a vice, ela afirmou não ter conversado com Flávio Bolsonaro sobre a vaga, nem sobre a hipótese de se tornar ministra da Fazenda em caso de vitória.
O dirigente do PL, Valdemar Costa Neto, ponderou publicamente, segundo VEJA, “Daniella é uma excelente pessoa, mas precisa ter voto, né? Tem que trazer alguém que tenha voto”, deixando em aberto as possibilidades até a convenção do PL marcada para 25 de julho.
Com a filiação ao Republicanos e o apoio de conselheiros econômicos, Daniella passa a ocupar posição estratégica na campanha, apresentando-se como o rosto do reforço feminino na campanha de Flávio Bolsonaro e como ponte entre propostas econômicas e agenda social voltada às mulheres.

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