El Niño chegou com força e deve pressionar preços de alimentos e energia no Brasil, com risco de quebras de 7% a 10% em safras, menor armazenamento hídrico e mais termelétricas

El Niño já mostra sinais de impacto no clima brasileiro, e isso tende a empurrar o custo de vida para cima.

A combinação de secas no Norte e chuvas intensas no Sul pode reduzir colheitas essenciais e reduzir reservatórios de hidrelétricas.

Esses efeitos afetam diretamente comida e conta de luz, conforme informações do ClimaInfo e do Instituto Clima e Sociedade.

Impacto nas safras e nos preços dos alimentos

A variabilidade climática trazida pelo El Niño aumenta o risco de perdas em culturas que determinam o preço do prato do brasileiro.

Em mesa redonda no Instituto Clima e Sociedade, Eduardo Assad e Guilherme Bastos, professores da FGV, soaram o alarme sobre colheitas de soja, milho, café e laranja, e alertaram que a quebra nessas culturas pode ficar entre 7% e 10% se confirmado um El Niño muito forte.

O sul do país também corre risco, porque pode sair prejudicada a safra de arroz no Rio Grande do Sul, que concentra 70% da produção brasileira, segundo o ClimaInfo, e zonas gaúchas já vivenciaram enchentes graves recentemente.

Pressão sobre a geração elétrica e aumento da conta de luz

Menos chuva significa reservatórios mais baixos, menor produção das hidrelétricas e maior uso de termelétricas, que têm custo mais alto.

O resultado é óbvio para o consumidor, energia mais cara na conta de luz; além disso, termelétricas movidas a óleo combustível ou carvão emitem mais carbono, realimentando o aquecimento.

Com temperaturas mais altas, cresce a demanda por refrigeração, o que amplia o consumo elétrico e cria um ciclo de maior pressão sobre preços e oferta.

Desmatamento e efeito em cadeia na produtividade agrícola

Além do fenômeno El Niño, há continuidade de efeitos de longa distância entre desmatamento e secas regionais, que agravam quebras de safra.

Um estudo recolhido ao longo de 36 anos, de 1982 a 2018, indicou que o desmatamento recente reduziu a precipitação sazonal entre 6% e 30% e induziu quebras de safra nos estados produtores de soja, de modo mais acentuado no Rio Grande do Sul, onde a perda na colheita chegou a 6%, conforme análise citada na literatura científica coordenada por Hao Li.

Esse mecanismo mostra que a pressão nos preços pode se manter no médio e longo prazos, porque a perda de produtividade e a maior emissão de gases formam um ciclo vicioso.

O que isso significa para o seu bolso

Na prática, espere maior volatilidade nos preços dos alimentos básicos e maior risco de aumento na tarifa de energia nos meses de maior calor.

Famílias com menos poder aquisitivo tendem a sofrer mais, porque são menos capazes de arcar com ar-condicionado, preços mais altos e possíveis racionamentos.

Em resumo, o El Niño pode diminuir oferta e elevar preços, e quem duvida da ciência também vai acabar pagando a conta, como indicam os dados das instituições citadas.


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