EEOC acusa o New York Times de preterir um editor branco na seleção para editor-adjunto de imóveis, e o jornal responde que a ação é uma forma de retaliação política e pede sua rejeição

O caso envolve uma disputa sobre uma vaga de editor-adjunto na editoria de imóveis do jornal, levantando questões sobre diversidade, critérios de promoção e possível interferência política.

Segundo a ação da Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego dos Estados Unidos, a seleção favoreceu uma candidata não branca em detrimento de um editor branco, o que, segundo a EEOC, configuraria discriminação por raça e sexo.

O New York Times nega que raça ou gênero tenham influenciado a escolha e afirma que o processo é usado como retaliação por sua cobertura da administração Trump, conforme informação divulgada pelo New York Times.

Como começou a disputa pela promoção

O processo de seleção teve início com a abertura da vaga para editor-adjunto da seção de imóveis, anunciada inicialmente em outubro de 2024, sem contratação naquele momento, e republicada em janeiro de 2025.

Entre os candidatos estava Bryant Rousseau, editor do jornal desde 2014, que havia trabalhado por mais de nove anos como editor sênior na editoria internacional e teve experiência prévia na cobertura de negócios e do setor imobiliário.

Na etapa final, quatro candidatos foram selecionados, incluindo uma mulher branca, um homem negro, uma mulher asiática e uma mulher multirracial, e a escolhida para a vaga foi Monica Burton, ex-editora-adjunta do site Eater.

O que a EEOC alega sobre a seleção

A EEOC afirma que Rousseau tinha experiência mais diretamente relacionada à cobertura imobiliária e que Burton não atendia a todos os requisitos do anúncio da vaga.

Segundo a petição, uma pessoa do painel avaliador teria considerado Burton pouco experiente, e ela teria ficado entre as duas candidatas com as avaliações mais baixas na etapa final, alegações que constam da ação aberta em maio e protocolada em 10 de julho.

Para a comissão, a composição dos finalistas e a escolha teriam sido influenciadas por metas públicas do jornal de ampliar a presença de mulheres e pessoas não brancas em cargos de liderança, e que Rousseau foi preterido por ser branco e homem.

Resposta do New York Times ao processo da EEOC

O New York Times nega que a raça ou o sexo tenham determinado a promoção e afirma que suas metas de diversidade eram objetivos institucionais, e não cotas aplicadas às decisões de promoção.

O jornal diz que a vaga em questão não estava entre os cargos cobertos por metas citadas pela EEOC, e que Monica Burton apresentou uma proposta de cobertura considerada mais consistente para a editoria.

O Times também afirmou que candidatos não brancos com mais experiência no setor imobiliário do que Rousseau foram eliminados, o que, segundo o jornal, contradiz a alegação de que a raça determinou o resultado.

Próximos passos e implicações legais

O caso chegou à EEOC depois de uma queixa apresentada por Rousseau, e a comissão pediu reparações que podem incluir promoção, compensação equivalente, pagamento de salários e benefícios não percebidos e eventual indenização.

Em resposta, o New York Times acusa a EEOC de interromper precocemente tentativas de conciliação e de levar o processo à Justiça logo após a publicação de uma reportagem sobre pressões internas na comissão, o que, segundo o jornal, caracteriza retaliação.

O processo está em curso na Justiça Federal de Manhattan, e até o momento não houve decisão sobre se a escolha para a vaga envolveu discriminação, nem sobre a alegação do jornal de que a ação foi usada como retaliação política.

O desfecho poderá afetar debates sobre políticas de diversidade nas redações, os limites de metas institucionais e a atuação da EEOC em casos que envolvem veículos de imprensa.


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