Huawei energia Brasil amplia investimentos em baterias, inversores e recarga, com projetos locais e planos de manufatura para surfar a transição para energia limpa
A ilha de Fernando de Noronha enfrenta pressão sobre sua rede elétrica isolada, mantida em grande parte por carregamentos de diesel trazidos por barco, e deve receber um dos maiores projetos de armazenamento de energia da América Latina ainda neste ano, entre os fornecedores de equipamentos está a Huawei Technologies Co.
A expansão da divisão de energia da Huawei chega ao Brasil por meio de sistemas de armazenamento em baterias, inversores solares e infraestrutura de recarga para veículos elétricos, e a empresa vê o país como um mercado receptivo para essa aposta, conforme informação divulgada pela Bloomberg.
Nos próximos tópicos, detalhamos números, citações e riscos geopolíticos que moldam a estratégia da Huawei energia Brasil, e como isso pode afetar consumidores e projetos no país, conforme informação divulgada pela Bloomberg.
Do diesel a baterias, o projeto em Fernando de Noronha
O arquipélago, cercado pelas águas azul-turquesa do Atlântico, tem cerca de 3 mil moradores, e recebe aproximadamente 40 vezes esse número de visitantes por ano, o que impõe forte pressão sobre uma rede elétrica isolada, mantida em grande parte por carregamentos de diesel trazidos por barco.
Essa pressão deve começar a aliviar com a instalação de um dos maiores projetos de armazenamento de energia da América Latina, e entre os fornecedores de equipamentos está a Huawei Technologies Co, segundo reportagem da Bloomberg.
Escala da Huawei Digital Power e números globais
A unidade de energia da Huawei, a Huawei Digital Power Technology Co., registrou vendas superiores a US$ 11 bilhões no ano passado, enquanto a controladora somou US$ 126 bilhões, segundo a Bloomberg.
Em escala, essa divisão já se aproxima da divisão de energia da Tesla e da Sungrow Power Supply Co., ambas com vendas de cerca de US$ 13 bilhões em 2025, e a Huawei Digital Power tem crescido a uma taxa de dois dígitos, mesmo quando a receita total da Huawei avançou apenas 2%, o ritmo mais lento em três anos.
Tentativa de venda, valuation e ventos geopolíticos
Houve uma tentativa recente de vender a unidade para a Contemporary Amperex Technology Co. Ltd., CATL, que fracassou por divergências de valuation, segundo fontes citadas pela Bloomberg, com a Huawei buscando ao menos 200 bilhões de yuans, US$ 29,5 bilhões, enquanto a CATL avaliava a operação mais perto de 150 bilhões de yuans.
Fontes e analistas apontam que a expansão para energia limpa foi acelerada pelas sanções americanas, “a expansão para energia limpa e setores correlatos é uma guinada cuja escala e urgência foram fortemente aceleradas pelas sanções americanas”, disse William Kirby, professor de Harvard, citado pela Bloomberg.
Ao mesmo tempo, a Huawei enfrenta restrições, pois deixou o mercado americano de inversores em 2019, e a Comissão Europeia introduziu novas restrições de financiamento para projetos de renováveis que usem inversores de “fornecedores de alto risco”, incluindo a Huawei, conforme reportagem da Bloomberg.
Presença e planos da Huawei energia Brasil
No Brasil, a presença ainda é modesta, mas em crescimento, com a Huawei fechando contratos de armazenamento em baterias capazes de abastecer cerca de 90 mil residências por dia e fornecendo mais inversores solares no país do que qualquer concorrente, segundo Roberto Valer, diretor de tecnologia da Huawei Digital Power Brasil.
A empresa também começou a vender hardware para estações de recarga, e estuda construir uma fábrica no Brasil, disse Valer em entrevista à Bloomberg, sem dar mais detalhes, acrescentando que “Não temos problema algum aqui no Brasil”.
Analistas destacam que há demanda e dinheiro fluindo para tecnologias limpas globalmente, e que empresas chinesas dominam boa parte dos equipamentos para gerar e armazenar energia solar e eólica, criando uma oportunidade importante para a Huawei energia Brasil no curto e médio prazo.

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