As negociações das ações da Ânima abriram em forte baixa nesta manhã, em reação ao anúncio da compra da FMU, operação que mudou a percepção de risco de investidores sobre o grupo.

O recuo chamou atenção pela magnitude da queda, e analistas e acionistas passaram a questionar o custo e a execução da operação diante do cenário atual do setor educacional.

Os detalhes financeiros e as condições do pagamento explicam parte da reação do mercado, conforme informação divulgada pela Ânima.

O que aconteceu

Em resposta ao anúncio, as cotações do grupo sofreram forte disparada de venda, no que foi caracterizado como uma reação negativa do mercado ao negócio. Conforme os dados divulgados, as ações do grupo de educação Ânima, dono da São Judas e Anhembi Morumbi, recuavam 30,3% na Bolsa do Brasil B3 às 11h.

O movimento ocorreu após a companhia informar, em comunicado, a formalização da aquisição da FMU, alvo que já estava em recuperação judicial, operação que trouxe incertezas sobre sinergias e passivos.

Detalhes da compra

A operação envolve a compra da totalidade das cotas da instituição FMU, e o valor anunciado foi a aquisição da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) por R$ 410 milhões.

O comunicado trazia a descrição das condições de pagamento de forma detalhada, com os termos descritos textualmente, incluindo valores e prazos, veja o trecho divulgado pela empresa,

“O pagamento será de R$ 240 milhões à vista no fechamento do negócio e R$ 170 milhões até 31 de dezembro de 2029 ou três anos após a aprovação definitiva do Cade, o que ocorrer primeiro. A segunda parcela será corrigida pelo CDI e terá mecanismo de earn-out, pagamento variável ligado ao desempenho da FMU e ao múltiplo de mercado da Ânima.”

Esses pontos, o parcelamento longo, a correção pelo CDI e o mecanismo de earn-out, foram fatores citados por analistas como motivos para a maior aversão dos investidores no curtíssimo prazo.

Reação do mercado e próximos passos

A queda expressiva das ações reflete preocupação com a capacidade da Ânima de integrar a FMU, gerir passivos associados ao processo de recuperação judicial, e entregar resultados que justifiquem o múltiplo pago.

Apesar da volatilidade imediata, o fechamento da operação depende de aprovações regulatórias e da execução das condições financeiras, o que pode dar tempo para reassessments por parte de investidores e analistas.

Investidores agora observam a evolução das comunicações da Ânima sobre sinergias, projeções financeiras e eventuais ajustes no plano de integração, fatores que tendem a influenciar o preço das ações nos próximos dias.


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