O Conselho Nacional de Política Energética aprovou uma mudança na composição da gasolina que começa a valer no mês que vem, gerando dúvidas entre motoristas sobre performance e custos.
Especialistas afirmam que o efeito varia conforme o tipo de motor, origem do veículo e ajustes feitos pelos fabricantes, enquanto associações do setor pedem testes antes da adoção definitiva.
As informações aqui foram organizadas a partir das fontes fornecidas, com trechos e dados citados diretamente das comunicações oficiais e de especialistas, conforme informação divulgada nas fontes fornecidas.
O que mudou e quando vale
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou ontem o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%.
A medida entra em vigor no dia 1º de agosto, quando será publicada no Diário Oficial da União (DOU) e terá validade de 180 dias, com possibilidade de prorrogação, uma única vez, pelo mesmo período.
Quem pode sentir diferença, carros flex e importados
O impacto depende muito do veículo, principalmente se ele é flex ou foi projetado para combustíveis de outros mercados.
Em fala citada nas fontes, o professor Marcio D’Agosto, docente na Coppe/UFRJ, disse, “No Brasil já há muita frota de veículos flex. Não há diferença por conta de tecnologia, mas, para os importados, sim, porque o poder calorífico do etanol é diferente”.
Ele também afirmou, “Os motores dos carros importados são feitos para serem usados com a gasolina daqueles países. Os fabricantes que trazem esses carros até fazem alterações eletrônicas. Mas, com o aumento do percentual do etanol aqui, pode ser que haja perda no rendimento, já que ele tem poder calorífico menor”.
Preocupações do setor e riscos para parte da frota
Entidades que representam distribuidoras, importadores, postos e transportadores manifestaram preocupação com a alteração sem testes prévios.
As associações Brasilcom, Abicom, Fecombustíveis e SindTRR afirmaram, “O aumento da mistura de etanol anidro na gasolina acima dos atuais 30% também requer a realização de testes específicos para que se determine, com segurança, a sua viabilidade”.
As organizações destacam ainda que cerca de 15% da frota do país não têm motores flex, e que motos e embarcações de pequeno porte movidos exclusivamente a gasolina podem ser afetados no desempenho e em custos de manutenção.
Consumo, octanagem e comparação internacional
Mesmo que o etanol tenda a baratear o preço do litro na bomba, ele tem menor densidade energética, portanto, deve aumentar o consumo por quilômetro rodado.
As associações lembram que o aumento da participação do etanol exige ajustes regulatórios nas especificações da gasolina, em especial na octanagem e na massa específica.
No exterior, os teores são bem menores, o que explica parte da diferença em veículos importados, “Na Europa, é comum a utilização da gasolina com 5% ou 10% de teor de etanol. Nos EUA, também é usual a adição de 10% à gasolina, enquanto no Japão o teor é de 3%”.
O que os motoristas podem fazer
Donos de carros flex podem não perceber mudanças relevantes na dirigibilidade, já que esses veículos foram projetados para misturas com etanol, porém podem precisar abastecer com mais frequência.
Proprietários de importados, motocicletas e embarcações devem ficar atentos a possíveis perdas de rendimento e consultar manuais, concessionárias e oficinas de confiança caso notem alteração no funcionamento.
Enquanto as autoridades e o setor realizam testes e ajustes, a recomendação prática é monitorar consumo, manter manutenção em dia e reportar problemas às fabricantes e órgãos de defesa do consumidor.

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