Resposta oficial ao tarifaço, acusações de má-fé e estatísticas citadas pelo governo, tudo em um embate diplomático que pode redefinir a relação comercial entre Brasil e EUA
O chanceler Mauro Vieira rebateu nesta quinta-feira as declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre as tarifas adotadas contra o Brasil.
O governo classificou as falas como ofensivas e afirmou que não aceitará medidas unilaterais, além de informar que acionará a Lei de Reciprocidade para responder ao chamado tarifaço.
As posições trocadas entre Brasília e Washington envolvem acusações sobre o Pix, regras digitais e desmatamento, e trazem números apontados pelo próprio governo norte-americano, conforme declaração do chanceler Mauro Vieira e nota oficial do governo.
O ataque de Rubio e a reação do chanceler
Mauro Vieira afirmou que, “As declarações do secretário de Estado Marco Rubio, veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil, são inaceitáveis e ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro. Rubio ataca de forma grosseira e arrogante o chefe de Estado de um país amigo”.
Segundo o chanceler, o que incomoda os Estados Unidos é que o Brasil “não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações”.
O que disse Marco Rubio
Nas redes sociais, Rubio afirmou, “o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé. Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”.
A declaração serviu de justificativa pública para a imposição das novas tarifas, decisão que motivou a réplica brasileira e o início dos trâmites legais previstos na Lei de Reciprocidade.
Dados e medidas anunciadas pelo governo brasileiro
Na nota publicada logo após o anúncio, o governo afirmou que iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional.
O comunicado também cita números apontados como relevantes para o contexto do conflito, “Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil”.
A nota acrescenta que, “em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no Brasil sem pagar imposto de importação, e a alíquota média aplicada sobre produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%“.
O governo brasileiro rejeita as investigações sem amparo nas regras multilaterais, afirma que nunca deixou a mesa de negociações e defende que as alegações contra o Pix, a regulação de plataformas digitais e as acusações sobre desmatamento são descabidas.
A medida dos EUA foi anunciada após a conclusão da investigação da seção 301, comandada pelo USTR, que apurava práticas comerciais injustas no Brasil e em outros países, e abre uma nova fase de tensões comerciais entre os dois países.

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