O terceiro encontro da série Brasil Adiante, promovida pelo Estadão, coloca no centro do debate como enfrentar o crime organizado e reduzir a violência nos primeiros 24 meses do próximo governo.

O evento, marcado para quinta-feira, 23, terá dois painéis que abordam perguntas consideradas essenciais por especialistas e formuladores de políticas públicas.

Os detalhes e propostas apresentados no encontro foram organizados com curadoria do executivo Fábio Barbosa, e reúnem pesquisadores, promotores e operadores de segurança, conforme informação divulgada pelo Estadão.

Por que o Brasil não consegue reduzir a violência?

Especialistas apontam que a violência deixou de ser um problema concentrado nas capitais para se espalhar pelo interior do País, em grande parte por conta da ação das facções em busca de novas rotas e mercados.

Dados citados no debate lembram que Quase metade dos brasileiros (47% do total) aponta o crime e a violência como sua maior preocupação, segundo a edição de abril da pesquisa Ipsos What Worries the World.

O Atlas da Violência 2025, do Ipea e do FBSP, mostra essa interiorização da violência, o que exige estratégias regionais e coordenação entre esferas de governo para conter a expansão criminal.

O crime organizado está mais preparado que o Estado?

O segundo painel vai direto ao ponto, analisando capacidades das facções e fragilidades estatais, com debatedores de áreas diversas.

No encontro serão discutidos exemplos recentes, como o avanço de organizações em regiões estratégicas, e análises sobre domínio territorial e infiltração na economia formal.

Como ilustração, “Só na Amazônia, por exemplo, o Comando Vermelho (CV) dobrou sua presença, passando de 128 para 286 cidades entre 2023 e 2025, segundo o estudo Cartografias da Violência na Amazônia”.

Estratégias sugeridas, foco na asfixia financeira e regulação

Promotores e especialistas defendem que a resposta precisa combinar frentes diferentes, em sequência lógica, para atacar etapas diversas da cadeia de poder das organizações criminosas.

Como afirmou o promotor Juliano Atoji, do Gaeco do Ministério Público do Estado de São Paulo, “Diante desse novo perfil das facções, a resposta mais eficiente provavelmente não está em escolher uma única prioridade, mas em uma sequência lógica de intervenção, porque cada frente ataca uma etapa diferente da cadeia de poder da organização”.

Uma frente considerada central é a asfixia financeira, com atenção à regulação de pontos cegos do sistema financeiro, incluindo fintechs, e a implementação de políticas sérias de compliance, segundo Atoji.

O tema da captura de contratos e infiltração na economia formal também será debatido, diante de investigações que apontam contratos públicos capturados por facções.

Presídios, alcance internacional das facções e atores no debate

O encontro do Brasil Adiante também discute o papel dos presídios como centros de comando, onde líderes planejam ações e cooptam novos integrantes, o que reforça a necessidade de monitoramento e política prisional efetiva.

O mapeamento do Ministério Público de São Paulo indica que o PCC tem integrantes em ao menos 28 países, com “mais de 2 mil ‘soldados’ da facção espalhados pelo exterior”, e que, com o Brasil, esse número sobe para 40 mil.

O presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, classificou o avanço das facções como “tragédia contemporânea”, expressão que resume a gravidade do problema para a governabilidade.

Os dois painéis terão a participação de especialistas como Joana Monteiro, Renato Sérgio de Lima e Rodrigo Pimentel no primeiro painel, e Cristina Pinotti, Fábio Diniz e Lincoln Gakiya no segundo, com mediações de Victor Vieira e Marcelo Godoy.

As propostas debatidas ao longo da série serão consolidadas em um documento que será entregue em novembro ao vencedor das eleições presidenciais, com a meta de oferecer um plano aplicável para os primeiros 24 meses de governo.


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