Em cinco anos, BMEB4 subiu 1.097% e EMBJ3, 910%, casos que ilustram como ações que batem o Ibovespa podem superar o índice e o CDI mesmo em janelas curtas

Entre o fim de 2020 e o fim de 2025, o Ibovespa subiu 35,4%, desempenho que ficou abaixo do CDI acumulado no período, 68%, e ainda assim houve papéis com altas extraordinárias.

Algumas ações multiplicaram capital de investidores em patamares muito superiores ao índice, enquanto outras ficaram presas ao peso e à liquidez da carteira do Ibovespa.

Os números e as explicações para essas distâncias constam de um levantamento da Economatica, feito a pedido do InfoMoney, com retornos das ações listadas na B3 em quatro janelas encerradas em 31 de dezembro de 2025, considerando dividendos, conforme levantamento da Economatica a pedido do InfoMoney.

Os números que mais chamam atenção

Na janela de 5 anos, o topo inclui, em ordem de retorno, Banco Mercantil (BMEB4) 1.097,21% e Embraer (EMBJ3) 910,41%, com diferenças de 1.061,83 e 875,03 pontos percentuais acima do Ibovespa, respectivamente.

No recorte de 10 anos, o destaque extremo é Prio (PRIO3) 16.833,28%, seguida por Unipar (UNIP6) 7.463,72%, e outras altas de quatro dígitos, todos muito acima do Ibovespa.

Em 15 e 20 anos, aparecem repetidamente empresas de saneamento e energia, com nomes como Sabesp, Sanepar, Comgás, Energisa e Copel figurando entre as maiores valorizações, e retornos que chegam a milhares por cento.

Por que o Ibovespa ficou atrás do CDI e longe de alguns papéis

Conforme análise de Bruno Perri, sócio-fundador da Forum Investimentos, “o Ibovespa é uma média ponderada por tamanho e liquidez, e tem representatividade concentrada em alguns papéis com pesos muito significativos no índice”.

Perri acrescenta que “alguns destes papéis pesados não tiveram bom desempenho no período, enquanto o CDI se tornou um custo de oportunidade altíssimo, dados os patamares elevados da Selic”. Essas dinâmicas ajudam a explicar por que o índice ficou abaixo do CDI entre 2020 e 2025.

Outra razão é a composição dos vencedores, muitos deles papéis de baixa liquidez ou fora do Ibovespa, cuja alta percentual pode refletir movimentos concentrados de descoberta por investidores, e preços finais de negociação pouco representativos do mercado amplo.

Riscos, liquidez e o caráter “teórico” de alguns retornos

O levantamento mostra que boa parte do topo das listas é ocupada por ações pouco líquidas, como Banco Mercantil, Unipar, Aço Altona, Dexxos e Grazziotin. Perri observa que retornos de magnitude muito alta são, “em grande parte, teóricos”.

Ele explica que “são apenas o preço de tela do fechamento de papéis que negociam muito pouco, e nos quais o investimento é bastante restrito justamente pelas condições de liquidez”. Além disso, olhar apenas janelas ‘ponta a ponta’ não capta oscilações intensas ao longo do caminho.

O que investidores e analistas devem levar em conta

Setores defensivos, como saneamento, energia elétrica e gás, aparecem de forma recorrente entre os maiores ganhos, por terem geração de caixa previsível e barreiras de entrada, conforme apontado por Perri.

Sobre cases extremos, ele diz que “a tese era identificável; a magnitude, não”. No caso da então PetroRio, hoje Prio, a empresa era uma microcap em 2015 que começou a comprar campos maduros e melhorar margens, e a valorização extraordinária surpreendeu até especialistas.

Em síntese, os dados mostram que, embora o Ibovespa represente uma média ponderada do mercado, investidores atentos a empresas específicas, ao setor e à liquidez podem encontrar oportunidades que superam o índice e o CDI, mas com riscos e volatilidade maiores, conforme levantamento da Economatica a pedido do InfoMoney.


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