A Bimbo busca convencer o Cade de que o comprador indicado para a marca Nutrella atende aos requisitos do remédio imposto na aprovação da aquisição da Wickbold.
A empresa protocolou novos documentos na última sexta-feira, 17, respondendo às exigências do presidente do Cade, Diogo Thomson, que adiou o leilão em uma semana para permitir complementos de informação.
Se o presidente aceitar a proposta da Bimbo, a Nutrella não irá a leilão, caso contrário o certame está marcado para esta sexta-feira, 24, conforme informação divulgada pela Folha.
O que o Cade exigiu
No despacho da última semana, o presidente Diogo Thomson afirmou que a análise sobre a potencial compradora deveria ser baseada em um conjunto de elementos mais robusto, diante da relevância da determinação. Ele pediu comprovação de compromisso contratual efetivamente vinculante, capacidade financeira e operacional para explorar a marca, e um plano de negócios que assegure a manutenção da competitividade do ativo após o desinvestimento.
O presidente também exigiu garantias de que a compradora atuará de forma autônoma e independente da Bimbo após a operação, sem vínculos societários, comerciais ou operacionais que comprometam o remédio concorrencial.
Por que a Bimbo quer evitar o leilão
Para a companhia, o leilão representa o pior cenário porque reduz seu controle sobre a venda da marca Nutrella. Pelo acordo com o Cade, o certame é conduzido pelo mandatário de desinvestimento e ocorre sem preço mínimo, o que pode resultar na alienação por valor inferior ao esperado.
A decisão tem impacto direto na estratégia da Bimbo de proteger ativos como Pullman e Rap10, além de cumprir as obrigações resultantes da compra da Wickbold.
Contexto do desinvestimento e prazos
Quando aprovou a compra da Wickbold, em setembro do ano passado, o órgão determinou que a Bimbo teria de vender a marca Tá Pronto, de tortilhas e wraps, da Wickbold, e a Nutrella, de pães especiais. Integrantes do Cade criticam a empresa alegando descumprimento de prazos para realizar o desinvestimento.
O despacho de Thomson foi homologado por unanimidade pelo tribunal do Cade, conforme publicado nesta terça-feira, 21, e a documentação apresentada pela Bimbo ainda está em análise pelo presidente. A decisão pode ser publicada até esta quarta-feira, 22, segundo apurou a Folha.
Próximos passos
Se o Cade aceitar o comprador indicado, a negociação seguirá sem leilão. Caso contrário, a Bimbo terá de enfrentar o certame público, com risco de perda de controle sobre a venda da marca. A empresa foi procurada e não se manifestou até o momento.

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