Aluguel no Rio registra aumento significativo de preços, com oferta 31,8% menor entre 2023 e 2026, enquanto turismo e juros altos alteram a dinâmica do mercado
Encontrar um imóvel para alugar no Rio tem exigido mais paciência, e mais dinheiro, em diversas regiões da cidade a realidade é a mesma, menos opções disponíveis e preços mais altos.
O crescimento das locações por temporada e os juros elevados ajudam a explicar o movimento, porque financiam a compra tornam-se mais caros e mantêm a demanda pelos aluguéis.
Segundo dados do Sindicato da Habitação do Rio, a oferta de imóveis para locação tradicional caiu 31,8% entre 2023 e 2026. Especialistas e corretores destacam a combinação de fatores como causa desse movimento, conforme informação divulgada pelo RJ2.
Queda de oferta e pressão sobre novos contratos
De acordo com o vice-presidente do Secovi Rio, Leonardo Schneider, menos imóveis disponíveis significam maior disputa pelos contratos, pressionando os preços para novos inquilinos. Enquanto os contratos em vigor seguem os índices previstos na assinatura, a disputa por unidades vagas eleva os valores pedidos pelos proprietários.
O impacto é sentido com mais força na Zona Sul, mas não se limita a ela, corretores relatam altas em bairros da Zona Norte e da Zona Oeste, como Tijuca, Méier, Vila Isabel, Taquara e Santa Cruz.
Onde o aluguel está mais caro
Dados do Data Secovi mostram os valores do metro quadrado de aluguel em pontos caros da cidade, com destaque para a Zona Sul: Leblon: R$ 129,10 Ipanema: R$ 124,97 Lagoa: R$ 89,64 Jardim Botânico: R$ 82,20 Barra da Tijuca: R$ 82,06 Gávea: R$ 79,60 Copacabana: R$ 77,04 Botafogo: R$ 76,36 Flamengo: R$ 62,79 Centro: R$ 58,15. Entre os dez bairros com maior valor de aluguel, oito ficam na Zona Sul.
Quando a comparação é feita pelo percentual de aumento dos aluguéis nos últimos 12 meses, o Centro lidera, com valorização de 34,9%.
Turismo, juros e diferença entre aluguel e venda
A expansão do turismo também fortaleceu o mercado de aluguel por temporada, de acordo com a prefeitura, 10,5 milhões de turistas brasileiros e 2,1 milhões de estrangeiros visitaram a cidade em 2025. Essa demanda por estadias curtas incentiva proprietários a retirar imóveis da locação tradicional.
Especialistas lembram que a taxa básica de juros influencia diretamente o comportamento dos compradores, com financiamentos mais caros a compra da casa própria fica para depois, e a procura por aluguel aumenta.
Levantamento do índice FipeZAP mostra que, no acumulado dos últimos três anos, os aluguéis cresceram 38,09%, enquanto os preços de venda dos imóveis avançaram apenas 11,34%. Em 12 meses, apenas cinco bairros tiveram valorização dos preços de venda acima da inflação medida pelo IPCA, eles são Centro, Laranjeiras, Copacabana, Flamengo e Leblon.
Mudanças no perfil de moradia e tendência do mercado
Além dos fatores econômicos, há mudança no comportamento dos brasileiros, segundo dados do IBGE, a parcela de brasileiros que vive em imóveis alugados passou de 18,4% em 2016 para 23,8% em 2025. No Rio, entidades do setor estimam que essa participação já esteja próxima de 28%.
Para o mercado imobiliário, a tendência é que a pressão sobre os preços continue enquanto a oferta de imóveis para locação tradicional permanecer reduzida e os juros seguirem elevados, cenário que deve manter a disputa intensa por unidades disponíveis.

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