Prefeito de São Paulo afirma que a negociação para permitir megashows na avenida Paulista em 2026 está emperrada por questionamentos no Ministério Público e no Judiciário, tornando inviável a contratação a tempo

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, afirmou que a cidade não deve ter um megashow avenida Paulista 2026, por causa de impasses jurídicos e da demora no processamento de acordos que ampliariam o número de eventos na via.

A gestão buscou rever a restrição que desde 2007 limitava a avenida a três eventos por ano e assinou um Termo de Ajustamento de Conduta, com a ideia de permitir até seis eventos e realizar dois megashows gratuitos por ano a partir do segundo semestre de 2026.

Segundo Nunes, a tramitação de embargos de declaração e questionamentos formais tem atrasado a autorização e, com o calendário apertado, fica mais difícil fechar contratos com artistas internacionais, como U2 ou Coldplay, conforme informação divulgada pela rádio Bandeirantes.

O que travou o acordo e o papel do TAC

Desde 2007, os eventos na Paulista estavam limitados a apenas três por ano, a Parada LGBT, a Corrida de São Silvestre e o Réveillon, e a gestão Nunes buscou um acordo com o Ministério Público para rever esse limite.

A prefeitura chegou a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta em fevereiro, mas entrou com pedido de embargos de declaração junto ao Conselho Superior do MP em junho, questionando cláusulas que exigem, entre outras coisas, que os eventos sejam realizados sem uso de dinheiro municipal.

Os embargos de declaração são um pedido de esclarecimento para pontos que não ficaram claros ou para possíveis contradições em determinada decisão judicial, pedindo ao juiz que reveja o documento, e o pedido da Prefeitura ainda não foi analisado pelo Conselho Superior.

As críticas de Ricardo Nunes

Na entrevista, o prefeito reclamou da atuação de integrantes do sistema de Justiça, e disse, literalmente, “Tem um ou outro do Judiciário ou do MP que quer, por uma questão pessoal, ficar vendo pontinhos, e isso tem atrapalhado muita gente”.

Ele também fez um desabafo sobre a dificuldade de produzir eventos que gerem emprego e renda na cidade, afirmando, “Não consigo fazer um negócio para atrair emprego, para gerar renda, gerar emprego, porque eles ficam postergando, Eles precisam me deixar cuidar da cidade”.

Sobre o impacto econômico e a projeção internacional, Nunes afirmou, “Infelizmente, a gente poderia ter tido um grande evento aqui para ter a cidade sendo projetada para o mundo, para poder ter os hotéis cheios, os taxistas e motoristas de aplicativo trabalhando, gerar emprego e renda e, infelizmente, por ficarem postergando, por quererem governar sem ter voto, a gente esse ano possivelmente não vai ter”.

Impacto esperado e comparações com o Rio

A gestão Nunes mirou no sucesso do evento “Todo Mundo no Rio”, que promoveu megashows gratuitos em Copacabana e atraiu turistas e atenção internacional, com efeitos positivos na ocupação hoteleira e no comércio.

A proposta para a megashow avenida Paulista 2026 visava repetir esse efeito econômico em São Paulo, com dois grandes eventos anuais, mas a combinação de exigências legais e prazos curtos deixou a viabilidade financeira e logística em risco.

Próximos passos e calendário

Enquanto o Conselho Superior do Ministério Público não analisa os embargos de declaração, a prefeitura terá dificuldade para fechar contratos com artistas internacionais, por causa de prazos e exigências contratuais.

Se os embargos forem rejeitados ou demorarem mais, a chance de realizar megashows gratuitos na avenida Paulista em 2026 diminui significativamente, e a prefeitura precisará buscar alternativas para atrair eventos que gerem emprego e renda na cidade.


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