O crédito imobiliário brasileiro somou R$ 180,9 bilhões entre janeiro e junho de 2026, um avanço de 23% em relação aos R$ 147,1 bilhões no mesmo período de 2025.
O desempenho foi sustentado pela recuperação do crédito para construção pelo SBPE, pelo avanço das operações com recursos do FGTS, e pela demanda contínua por financiamento para aquisição de imóveis.
Nos tópicos seguintes, explicamos a composição desse crescimento, os números por modalidade, o impacto no mercado e a revisão de projeções feita pela Abecip, conforme informação divulgada pela Abecip.
SBPE e o salto no crédito à construção
Os financiamentos com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, SBPE, somaram R$ 93,7 bilhões no semestre, alta de 29% frente aos R$ 72,9 bilhões registrados no primeiro semestre de 2025.
O destaque foi o crédito para construção, que passou de R$ 12,8 bilhões para R$ 26,5 bilhões, um crescimento de 107% na comparação semestral.
Segundo Michel Cury, presidente da Abecip, “A gente teve um primeiro semestre de 2025 com um volume muito mais baixo de financiamento à produção. A base de comparação é mais baixa e ela normaliza para patamares parecidos com os observados entre 2021 e 2024”, afirmou durante a coletiva.
FGTS e Minha Casa, Minha Vida impulsionam operações
As operações com recursos do FGTS avançaram 22% no primeiro semestre, alcançando R$ 77,6 bilhões, e financiaram mais de 350 mil imóveis, impulsionadas principalmente pelo programa Minha Casa, Minha Vida.
Na aquisição de imóveis com recursos do SBPE, o volume foi de R$ 67,2 bilhões, alta de 12% ante igual período de 2025, e mais de 160 mil imóveis foram financiados, sendo cerca de 70% dessas operações relacionadas a imóveis usados.
Filipe Pontual, diretor-executivo da Abecip, observou que a maior disponibilidade de recursos do FGTS, incluindo ampliação orçamentária e reforço do Fundo Social, ajuda a explicar o desempenho mais forte do Minha Casa, Minha Vida e pode sustentar crescimento maior do que o previsto inicialmente para 2026.
Como o mercado imobiliário reagiu
O ambiente seguiu favorável para o setor, com lançamentos e vendas em expansão. No país, os lançamentos cresceram 34% e as vendas avançaram 4% na comparação entre o 1º trimestre de 2026 e o 1º trimestre de 2025, segundo levantamento da CBIC.
Na cidade de São Paulo, os lançamentos subiram 11% e as vendas 9% no período de janeiro a maio na comparação com 2025, e os estoques aumentaram 44% na capital, enquanto no país o estoque cresceu 8%.
A Abecip, porém, evitou associar automaticamente o aumento de estoque a excesso de oferta. Como afirmou Michel Cury, “O estoque tem um crescimento, especialmente em São Paulo, mas não é razoável classificá-lo automaticamente como excesso de oferta”, afirmou Cury.
Revisão de projeções e riscos para o segundo semestre
A entidade destacou que o segmento ligado ao FGTS é o principal responsável pela revisão das projeções para 2026, devido à ampliação do orçamento do fundo e ao reforço de recursos do Fundo Social.
Ao mesmo tempo, a Abecip mantém uma visão cautelosa para o restante do ano, por conta da elevação das taxas de juros de mercado utilizadas como referência para captação de recursos de longo prazo.
Há ainda fatores a acompanhar, como a normalização da base de comparação de 2025, e a retração das operações com recursos livres, que recuaram 8% no primeiro semestre. Como ponderou Cury, “O financiamento imobiliário mantêm uma trajetória positiva, mas a continuidade desse crescimento dependerá de uma base de funding mais ampla e diversificada”, afirmou Cury.

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