O mercado de crédito imobiliário registrou desempenho acima das expectativas entre janeiro e junho de 2026, com crescimento expressivo em várias linhas de financiamento.

O volume total financiado alcançou um patamar que já supera a previsão feita para todo o ano, com destaque para recursos do FGTS e a expansão da poupança como fonte de funding.

Os números e análises foram divulgados pela entidade responsável pelo setor e consolidam um cenário em que a oferta de crédito cresceu, mesmo com juros elevados, conforme informação divulgada pela Abecip.

Volume total e projeções

No primeiro semestre de 2026, o total de financiamentos somou R$ 180,9 bilhões, alta de 23% em relação ao mesmo período de 2025.

A marca de R$ 180,9 bilhões já supera a projeção da Abecip para todo o ano, que previa crescimento de 16%, e levou a entidade a sinalizar que deve revisar para cima suas estimativas para 2026.

FGTS e SBPE: fontes que alavancaram a carteira

As operações financiadas com recursos do FGTS cresceram 22% na comparação anual, totalizando R$ 77,6 bilhões, com o programa Minha Casa Minha Vida mantendo-se como um dos principais motores dessa expansão.

O crédito concedido pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, o SBPE, avançou 29%, atingindo R$ 93,7 bilhões, impulso que foi favorecido por mudanças regulatórias que ampliaram a disponibilidade de recursos da poupança para habitação.

Financiamento à construção dispara

O destaque do semestre foi o financiamento à construção, que registrou crescimento de 107% em relação ao mesmo período de 2025, chegando a R$ 26,5 bilhões.

Esse salto reflete o aumento da atividade no segmento residencial e a maior oferta de crédito para novos empreendimentos, fortalecendo a cadeia de construção civil e a entrega de projetos.

Leitura do mercado e riscos

Em análise do setor, especialistas destacam o resultado como sinal positivo para o financiamento habitacional, mesmo com custos de crédito em patamares elevados.

Os analistas da Ágora Investimentos ressaltaram, “O crédito imobiliário superou as expectativas, sustentado pelo forte desempenho das linhas ligadas ao FGTS e do financiamento à construção. Isso reforça um cenário favorável de funding para o setor residencial, mesmo com as taxas de juros ainda em patamares elevados”.

Apesar do desempenho robusto, a Abecip alerta que o nível elevado dos juros continua limitando a demanda das famílias de renda média, o que pode restringir o ritmo de crescimento do mercado nos próximos meses, mesmo com melhora na oferta de recursos para financiamento habitacional.


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