Inadimplência do aluguel tem leve queda em junho para 3,20%, mas micro e pequenas empresas e famílias de menor renda continuam vulneráveis
A inadimplência do aluguel no Brasil apresentou um recuo pequeno em junho, passando para 3,20%, o que não elimina a pressão sobre segmentos mais frágeis do mercado de locação.
O movimento mensal foi de apenas 0,02 ponto percentual abaixo de maio, e a comparação anual mostra redução mais expressiva, de 0,39 ponto percentual frente a junho de 2025.
Conforme dados do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), da Superlógica, a estabilidade aparente convive com bolsões de maior risco, principalmente entre aluguéis mais baixos e imóveis de alto valor.
Panorama nacional e sinais de estabilidade
No fechamento de junho, a taxa geral de inadimplência ficou em 3,20%, recuo de 0,02 ponto percentual em relação a maio, e queda de 0,39 ponto percentual frente a junho de 2025, quando o indicador era de 3,59%.
O diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, Manoel Gonçalves, ressalta a leitura dos números, “A oscilação observada nos últimos meses é pequena e revela estabilidade, principalmente diante do cenário econômico atual. Mas é importante acompanhar indicadores como juros e inflação, que podem alterar essa trajetória ao longo de 2026”.
Apesar do resultado controlado, a tendência exige atenção, porque fatores como a elevação dos juros e o custo do crédito podem reverter a trajetória nos próximos meses.
Quem mais sofre, faixas de aluguel e tipos de imóvel
Os imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1.000 concentram a maior taxa de inadimplência, com 7,40%, mais que o dobro da média nacional. Entre imóveis residenciais na mesma faixa, o índice chega a 6,27%.
Na outra ponta, os menores índices foram observados em residências com aluguel entre R$ 3.000 e R$ 5.000, com 1,68%, e em imóveis comerciais entre R$ 2.000 e R$ 3.000, com 3,36%.
O segmento comercial também fechou o mês em 4,19%, abaixo dos 4,39% registrados em maio. Entre residências, a inadimplência em casas caiu de 3,69% para 3,45%, enquanto apartamentos foram de 2,35% para 2,16%, mantendo o menor índice entre as categorias.
Sobre a sensibilidade dos aluguéis mais baixos, Gonçalves explica, “Os aluguéis mais baixos acabam sendo mais sensíveis ao cenário econômico. No caso dos imóveis comerciais, eles são ocupados principalmente por micro e pequenas empresas, que enfrentam dificuldades com crédito caro e menor ritmo da atividade econômica. Já no mercado residencial, o impacto está relacionado ao aumento do custo de vida das famílias”.
Imóveis de alto valor e regiões com maior pressão
O comportamento dos aluguéis mais altos chama atenção, com imóveis acima de R$ 13.000 aparecendo como a segunda faixa com maior inadimplência tanto no mercado residencial, com 5,42%, quanto no comercial, com 4,63%, mesmo após redução em relação ao mês anterior.
Segundo a Superlógica, essa faixa reúne empresários e empreendedores que, apesar de renda mais elevada, seguem impactados por juros altos, crédito mais caro e menor dinamismo econômico. Como ressalta Gonçalves, “Esse público costuma possuir renda familiar significativamente superior ao valor do aluguel, mas também está exposto ao aumento da carga tributária, ao enfraquecimento da atividade econômica e ao elevado custo do crédito. Enquanto esse cenário persistir, a inadimplência tende a permanecer elevada nesse segmento”.
Regionalmente, o Nordeste segue com a maior taxa do país, em 5,15%, com queda de 0,24 ponto percentual frente a maio. Em seguida estão o Norte, com 4,30%, e o Centro-Oeste, que foi a única região a registrar alta em junho, passando de 2,85% para 3,00%. O Sudeste reduziu para 2,96%, e o Sul manteve a menor inadimplência, em 2,71%.
O que monitorar nos próximos meses
Os dados mostram um mercado de locação relativamente resiliente, mas com bolsões de vulnerabilidade, especialmente entre pequenos negócios e famílias de menor renda.
Acompanhamento de juros, inflação, custo do crédito e atividade econômica será determinante para saber se a leve queda em junho evolui para uma tendência de baixa duradoura, ou se a inadimplência volta a subir em 2026.
Para proprietários, inquilinos e gestores imobiliários, a recomendação é observar indicadores macro e a evolução das faixas de aluguel, com atenção especial aos comerciais de menor valor, que são os mais sensíveis à saúde financeira de micro e pequenas empresas.

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