O mercado global de crédito paga hoje os juros mais altos em décadas, e, ao mesmo tempo, carrega cerca de um terço menos risco do que carregava há alguns anos, segundo Wayne Dahl, co-gestor da estratégia de crédito global da Oaktree.
Para Dahl, mesmo com juros locais de pelo menos 14,25%, investidores brasileiros devem considerar a diversificação internacional, porque ativos em outros mercados ampliam o conjunto de oportunidades e reduzem risco concentrado.
As observações foram feitas durante um painel na Expert XP 2026, em debate que reuniu gestores de crédito global, onde também foi discutido que o retorno hoje tende a vir do carrego e da seleção, e não de ganho com fechamento de spreads, conforme informação divulgada durante painel na Expert XP 2026.
Por que o crédito global paga mais e tem menos risco
Wayne Dahl afirmou que o mercado apresenta uma situação rara, com juros altos e menor risco relativo, o que torna o segmento atraente para quem busca rendimento além da renda fixa brasileira.
Frank Rybinski, chefe de estratégia macro da Aegon Asset Management, afirmou que o mercado saiu de um regime em que os bancos centrais mantinham juros próximos de zero, e passou para outro com uma curva de juros de nível relevante, o que significa que o crédito é somado a essa curva.
Rybinski disse que, por conta do aperto dos spreads em termos históricos, “o retorno virá principalmente do carrego e da seleção, não de um ganho de capital com fechamento de spreads”, portanto, o foco muda para rendimento e escolha criteriosa de títulos.
O que evitar e o que comprar
Ambos os gestores destacaram a importância da seletividade. Dahl citou cautela com empresas de software, dependentes de refinanciamentos, e construtoras, expostas a juros mais altos.
Dahl recorreu a uma máxima de Howard Marks, sócio-fundador da Oaktree, “em crédito, é preciso evitar os perdedores e deixar que os vencedores se resolvam sozinhos, já que um único erro pode consumir o ganho de vários acertos“, para ilustrar a necessidade de seleção rigorosa.
Rybinski recomendou evitar empresas que dependem de financiamento constante, e indicou oportunidades específicas, como hipotecas de agência, com yield na casa de 5% e duration curta, além de operações selecionadas de CMBS, que exigem análise imóvel a imóvel.
Como montar diversificação sem abrir mão do Brasil
Os gestores lembraram que não é preciso desfazer posições brasileiras para diversificar. A alocação em crédito global pode completar uma carteira que já se beneficia da Selic alta, trazendo fontes de rendimento em outra política monetária.
Dahl reforçou o apelo do crédito imobiliário internacional, observando que os preços de imóveis nos Estados Unidos subiram cerca de 50% nos últimos anos, o que melhorou a relação entre dívida e valor nas estruturas lastreadas em imóveis.
A conclusão do painel foi resumida em uma palavra, diversidade, com Dahl e Rybinski enfatizando que diversificação em crédito global amplia oportunidades, mas exige seleção, foco no carrego e cuidado com ativos dependentes de refinanciamento.

Deixe um comentário