Proposta de acabar com a escala 6×1 pressiona custos e mão de obra, requer revisão de encargos trabalhistas e impacto pode ser sentido na compra da casa própria
O debate sobre a jornada de trabalho voltou ao centro das discussões do setor de construção civil, por seu impacto direto nos custos e no emprego.
Especialistas e representantes da indústria pedem contrapartidas, com mudanças nos encargos e nas normas urbanísticas, para evitar perda de competitividade.
As informações foram apresentadas no encerramento do quinto ciclo do Eloos Itatiaia, em Belo Horizonte, conforme informação divulgada pelo Sinduscon-MG durante o Eloos Itatiaia.
Impacto imediato em mão de obra e custos
O presidente do Sinduscon-MG, Raphael Lafetá, chamou atenção para o efeito do fim da escala 6×1 na operação dos canteiros e no custo final dos imóveis.
Em sua exposição, Lafetá afirmou, “Fizemos uma conta no sindicato e entregamos para a CBIC: vamos precisar de mais de 270 mil trabalhadores para manter o nível de produção que temos hoje. Isso vai aumentar de 12% a 14% o custo da construção civil. Se temos um aumento de custos devido a fatores externos, isso reflete diretamente no bolso de quem vai adquirir a casa própria”.
O dirigente também destacou o peso do setor na economia, lembrando que “A indústria da construção civil emprega hoje 3 milhões de trabalhadores com carteira assinada, só a indústria, sem contar os empregos indiretos que gera e toda a cadeia que movimenta. É a base das indústrias: é ela que chega primeiro fazendo as estradas, a infraestrutura e permitindo que se construam as outras indústrias. É um segmento que representa 30% do PIB nacional e discutir esses assuntos é de suma importância para destravar o Brasil”.
Juros, ciclos longos e efeito retardado
Lafetá explicou que a dinâmica dos empreendimentos faz com que mudanças na política monetária se refletem com atraso no mercado imobiliário.
Segundo ele, “Os juros agora vão afetar a movimentação daqui a dois ou três anos. No ano passado tivemos recorde de lançamentos, então este ano teremos que construir o que foi vendido, e os juros vão pesar agora, deixando a compra do imóvel mais cara. Juros são questão conjuntural; precisamos focar no estrutural, que são os encargos na folha de pagamento e tributos”.
Reforma tributária e adaptação do modelo de negócios
Além da jornada, o setor enfrenta mudanças na forma de tributar créditos e débitos, o que, na avaliação do Sinduscon-MG, exige adaptação rápida das empresas.
Sobre a transição tributária, Lafetá observou que “A questão do crédito e débito é algo que não fazíamos antes e agora vamos ter que repensar: como comprar valor agregado ao invés de agregar valor. Vai haver uma mudança e uma reforma muito grande na construção civil. Mas o Brasil pesa a mão nos encargos trabalhistas. O trabalho hoje é muito tributado e a gente tem que repensar tudo isso para conseguir ser mais competitivo”.
Eloos Itatiaia e os próximos passos
O encerramento do quinto ciclo do Eloos Itatiaia reuniu representantes do setor para debater competitividade, logística, defesa comercial e o futuro do trabalho na construção.
Entre os temas apontados como necessários para mitigar impactos da possível alteração na jornada estão a revisão de encargos trabalhistas, a modernização das normas urbanísticas e medidas que preservem produtividade sem sacrificar a oferta de emprego.
Para seguir acompanhando os desdobramentos, o setor aguarda propostas legislativas e estudos complementares, enquanto empresas e sindicatos discutem pacotes de contrapartidas para absorver mudanças na escala 6×1 sem transferir todo o custo para o consumidor.

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