A região Centro-Oeste tem registrado aceleração econômica que se traduz em mais renda, empregos e demanda por moradia, serviços e logística.

Construtoras e investidores veem oportunidades em cidades como Sinop e Goiânia, onde a verticalização e projetos de saúde e logística ganham espaço.

O avanço abre caminho para empreendimentos residenciais, corporativos e logísticos, mas também expõe desafios, como juros elevados e escassez de mão de obra qualificada.

Conforme estudo da FGV Ibre, elaborado com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Centro-Oeste em números e o papel do agronegócio

Os dados mostram que a região Centro-Oeste cresceu 3,4% ao ano entre 2002 e 2023, enquanto o Brasil cresceu 2,2%.

Em 2023, a agropecuária representou 17% do PIB do Centro-Oeste, um crescimento em relação aos 12% registrados 20 anos antes.

Segundo o estudo, cerca de 19% do valor adicionado da agropecuária nacional entre 2002 e 2023 foi gerado no Centro-Oeste, indicando a força do setor como motor do crescimento.

Exemplos locais que aquecem o mercado imobiliário Centro-Oeste

Em cidades que crescem rápido, a pressão por moradia e infraestrutura se intensifica, atraindo construtoras regionais e nacionais.

Um exemplo claro, segundo ele, é Sinop, no Mato Grosso, onde atualmente a Toctao tem três obras em andamento.

“A cidade vem crescendo na ordem de 9 mil habitantes por ano, segundo as estimativas recentes do IBGE”, afirma Guilherme de Lima Rodrigues, diretor de produção da Toctao Soluções de Engenharia.

Goiânia, por sua vez, consolidou-se como um dos principais polos de saúde do país, o que puxa investimentos em clínicas, hospitais, hotéis e empreendimentos residenciais e corporativos.

O que atrai investidores e os fundamentos para aplicar capital

Para investidores, o interesse no mercado imobiliário Centro-Oeste decorre de crescimento econômico real, geração de empregos e aumento de renda.

“O investidor busca mercados onde exista crescimento econômico real, geração de empregos, aumento da renda e expansão da demanda por moradia e serviços”, avalia Guilherme de Lima Rodrigues.

Esses fundamentos sustentam a demanda por projetos residenciais, logísticos, corporativos e de uso misto, especialmente em cidades com potencial de valorização maior que mercados maduros.

Desafios: juros, mão de obra e a resposta do setor

O setor da construção enfrenta obstáculos que podem limitar o ritmo de vendas e obras, entre eles a atual taxa de juros elevada, que encarece financiamentos e muda a atratividade do investimento.

“Costumamos dizer que a decisão de compra não deve estar baseada apenas na taxa de juros do momento, mas principalmente na qualidade do projeto, na localização, no potencial de valorização e na segurança do ativo”, afirma Guilherme Rodrigues.

Outro ponto crítico é a falta de mão de obra qualificada. “Observamos um envelhecimento da força de trabalho do setor, sem uma reposição proporcional pelas gerações mais jovens, que frequentemente optam por outras atividades profissionais”, aponta o diretor.

Na prática, empresas do setor têm buscado parceria com instituições de formação técnica. “A Toctao, por exemplo, tem buscado parcerias com instituições como SESI e SENAI para promover a capacitação de novos profissionais. Recentemente, por exemplo, concluímos a formação de 20 eletricistas e 20 encanadores dentro de um de nossos canteiros de obras, aproximando o treinamento da realidade prática do setor”, conta Guilherme.

O equilíbrio entre oportunidades e riscos vai determinar se o crescimento do mercado imobiliário Centro-Oeste será sustentável a longo prazo, e por enquanto o movimento segue atraindo capital, com foco em projetos que se adaptem às demandas locais de moradia, saúde e logística.


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