Eduardo Girão aparece como favorito para a vaga de vice na chapa presidencial de Romeu Zema pelo Novo, em meio a uma negociação que ainda não foi dissolvida internamente.

A indicação obrigaria o senador a desistir da pré-candidatura ao governo do Ceará, e o cenário local aumentou a tensão entre membros da ala bolsonarista, após o apoio de Michelle Bolsonaro à postulação de Girão.

O impasse marca uma etapa decisiva para o Novo, que busca fechar a chapa presidencial com um nome de dentro do partido, enquanto enfrenta dificuldades para montar uma coalizão ampla, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que Girão é cotado e o que muda se aceitar a vice

No Novo, a busca por um nome “puro-sangue” levou à avaliação de figuras internas, e Eduardo Girão desponta como favorito frente ao cientista político Felipe d’Ávila. Para assumir como vice de Romeu Zema, Girão precisaria formalmente abrir mão da candidatura ao governo do Ceará, uma decisão que altera completamente o tabuleiro local.

A convenção do Novo, inicialmente marcada para este domingo, foi adiada, e o anúncio oficial da chapa ficou para a última hora, em um movimento que reflete a dificuldade do partido para consolidar alianças e escolhas internas.

A briga no Ceará entre Michelle e Flávio Bolsonaro

A postulação de Girão no Ceará foi o pivô do conflito entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. Enquanto Flávio defendeu que o PL apoiasse a candidatura de Ciro Gomes ao governo estadual, Michelle posicionou-se ao lado de Girão, ampliando o ruído dentro da base bolsonarista.

O apoio de Michelle fortalece a candidatura estadual de Girão, mas simultaneamente complica a decisão sobre a vice de Zema, porque aceitar a vaga nacional significaria abrir mão da disputa local, mantendo o atrito entre os atores políticos envolvidos.

Pesquisas, nomes cotados e os critérios de Zema

Na última pesquisa Genial/Quaest, ele teve 3% das intenções de voto no primeiro turno, distante dos 43% de Ciro Gomes e dos 33% do atual governador Elmano de Freitas (PT), que busca a reeleição. Esses números evidenciam a diferença de viabilidade eleitoral de Girão no Ceará, em comparação com os principais concorrentes.

Antes da consolidação de Girão como favorito, outros nomes foram avaliados pelo Novo e pela campanha de Zema. O empresário Geraldo Rufino chegou a ser cotado, mas foi lançado pelo Podemos como candidato ao Senado por São Paulo. Também houve sondagens ao ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, que abriu mão da candidatura presidencial, e o Democracia Cristã acabou mantendo candidatura própria, de Clariana Barão.

Nos últimos meses, Romeu Zema deu declarações desencontradas sobre os critérios para o vice, indicando inicialmente preferência por alguém do Nordeste, depois por uma mulher, e ainda avaliando o fator da ficha limpa. Essa oscilação agrava a sensação de indefinição na montagem da chapa.

O próximo passo e o impacto político

Se confirmada, a escolha por Eduardo Girão tende a reforçar a estratégia do Novo de ter um vice vindo do próprio partido, porém pode gerar custo político no Ceará e intensificar atritos dentro da aliança bolsonarista. A decisão final dependerá do balanço entre a ambição nacional de Zema e o risco de perder apoio regional importante.

Enquanto o Novo aguarda o desfecho da convenção e as movimentações do PL, a disputa no Ceará e a pressão por uma chapa competitiva seguem sendo os principais elementos a observar nas próximas horas.


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