A Petrobras (PETR4) divulgará seu balanço do segundo trimestre de 2026 nesta quinta-feira, 6, e a expectativa do mercado é de um resultado forte, apoiado tanto pela alta do petróleo, como pelo avanço da produção.
Projetos do pré-sal em ramp up, maior utilização das refinarias e preços internacionais mais altos devem favorecer receitas e margens, elevando a perspectiva de distribuição de proventos aos acionistas.
No conjunto das estimativas, analistas apontam para um trimestre com geração de caixa robusta, mesmo com aumento de investimentos, o que pode sustentar pagamento de dividendos relevantes.
Conforme avaliações do Itaú BBA, Bradesco BBI e BB Investimentos.
Estimativas de resultado e política de dividendos
Os bancos projetam um Ebitda entre US$ 18 bilhões e US$ 19 bilhões para a Petrobras no 2T26, número que coloca a estatal entre os destaques da temporada de balanços.
Na visão do Itaú BBA, o Ebitda deve ficar em US$ 18,4 bilhões, avanço de 54% em relação ao trimestre anterior, impulsionado por desempenho operacional, alta de 24% nos preços do petróleo e receitas domésticas mais fortes com combustíveis.
O mesmo banco estima que a estatal distribua US$ 3,1 bilhões em dividendos ordinários, o que representa um dividend yield de aproximadamente 3%, enquanto outras casas apontam para distribuição próxima de US$ 3 bilhões.
Produção e avanços operacionais
Os dados operacionais prévios já apontaram níveis elevados de produção. O campo de Búzios superou 1,2 milhão de barris por dia, sendo o principal destaque do trimestre.
O Bradesco BBI reportou que a produção de petróleo alcançou 2,689 milhões de barris por dia, avanço de 4% em relação ao trimestre anterior, com o desempenho do primeiro semestre em torno de 2,6 milhões de barris diários.
A entrada em operação do FPSO P-79, iniciada em maio, deve continuar contribuindo para o crescimento da produção à medida que a plataforma avance em sua curva de ramp up.
Refino, exportações e redução de importações
O avanço no refino também chamou atenção, com aumento da produção de derivados e maior utilização das refinarias, citada pelo BB Investimentos e pelo BBI.
O Bradesco BBI destacou que a taxa de utilização das refinarias ficou em 101%, seis pontos percentuais acima do trimestre anterior, e que as importações de diesel caíram em ritmo forte.
O BB Investimentos ressaltou que a produção total de derivados avançou 5,6% em relação ao trimestre anterior e 10,9% na comparação anual, com recordes de produção de diesel S10 e querosene de aviação, e que as exportações cresceram 41% na base anual, levando as exportações líquidas a mais que dobrar no período.
Relatos do mercado indicam recuo de compras externas de diesel em 85% frente ao mesmo período de 2025, e uma queda de 63% nas compras externas de diesel na comparação trimestral, o que reduz a necessidade de importação e melhora resultados.
Caixa, investimentos e riscos no curto prazo
Embora a geração de caixa deva seguir sólida, o Itaú BBA alerta para pressão no capital de giro. O banco estima consumo de US$ 4,5 bilhões nessa linha durante o trimestre, dos quais US$ 2,3 bilhões correspondem a créditos relacionados a subsídios que deverão ser recebidos apenas no terceiro trimestre.
O Itaú BBA projeta ainda um capex caixa de US$ 4,6 bilhões no trimestre, considerando a aceleração da execução de projetos de exploração e produção, e ressalta que os investimentos de 2026 devem superar a faixa inicialmente prevista pela empresa.
Na prática, o mercado vai avaliar se a combinação entre maior produção, preços do petróleo e eficiência operacional será suficiente para entregar um balanço alinhado às estimativas, mantendo a capacidade de remunerar acionistas sem comprometer a execução dos projetos.

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