O mercado brasileiro passou a contar com mais uma opção de exposição ao setor de tecnologia dos Estados Unidos, por meio de um ETF de gestão ativa listado na B3.

O produto, com cotas negociadas em torno de R$ 50 e taxa de administração de 0,65% ao ano, aposta em ações de tecnologia de grande, médio e menor porte, com objetivo de identificar futuras líderes do setor.

As informações foram divulgadas pela gestora na apresentação do lançamento, conforme informação divulgada pela JPMorgan Asset Management

O que é o produto e como ele se diferencia

O novo fundo é um ETF ativo de tecnologia listado na B3, que não replica um índice de referência de forma automática, mas permite que a gestora escolha os ativos da carteira para buscar um desempenho superior.

Segundo a gestora, o ETF concentra cerca de 75,5% da carteira em empresas de tecnologia, enquanto o restante fica distribuído em setores relacionados, com uma composição formada por entre 50 e 70 ações.

Estratégia da carteira e exposição aos gigantes

A estratégia procura reduzir a concentração nas chamadas “Magnificent Seven”, nome dado a Microsoft, Apple, Nvidia, Alphabet, Amazon, Meta e Tesla.

Enquanto essas sete empresas representam cerca de 32% do índice S&P 500, apenas 13% da carteira do ETF está concentrada nelas, o que abre espaço para empresas de médio e pequeno porte e apostas em nomes que podem se tornar líderes do setor.

Contexto regulatório e antecedentes da gestora no Brasil

Atualmente, a regulamentação da CVM prevê apenas ETFs passivos, por isso os dois ETFs ativos da gestora foram lançados após a JPMorgan obter isenção da autarquia, enquanto uma norma definitiva para a modalidade ainda está em discussão.

Em fevereiro, a gestora já havia lançado o JEPI39, BDR de um ETF ativo desenvolvido para combinar geração de renda com exposição ao mercado acionário americano, buscando capturar parte dos retornos do S&P 500 com menor volatilidade.

Impacto esperado e dados de mercado

A JPMorgan Asset Management administra atualmente US$ 4,6 trilhões em estratégias de gestão ativa. A gestora informou que os ETFs ativos responderam por 37% dos fluxos destinados a ETFs nos Estados Unidos em 2026, e projetou que o patrimônio global da indústria de ETFs pode alcançar US$ 35 trilhões até 2030.

No mercado brasileiro, a oferta de ETFs vem crescendo, a B3 encerrou junho com 204 ETFs listados, ante 175 produtos disponíveis no fim de 2025, e os ativos sob gestão dos ETFs listados na B3 chegaram a cerca de R$ 116 bilhões (US$ 22,8 bilhões) nos últimos dois anos.

O lançamento oficial do novo ETF para clientes foi anunciado para ocorrer em evento na sede do JPMorgan, na avenida Faria Lima, em São Paulo, com a B3 realizando o toque do sino, em uma cerimônia que, segundo executivos da gestora, será a primeira vez que o tradicional evento ocorrerá fora da sede da B3.

Perspectiva da gestora

Para Giuliano de Marchi, chefe da JPMorgan Asset Management para a América Latina, o mercado brasileiro deve seguir trajetória semelhante à observada nos Estados Unidos após a aprovação da “ETF Rule” pela SEC em 2019, que simplificou o processo de lançamento de ETFs.

De Marchi afirmou ainda que, em comparação com fundos tradicionais, “um ETF costuma ter custo menor do que um fundo tradicional por exigir uma estrutura operacional mais simples.”

O produto já pode ser negociado na B3 por investidores em geral, e a gestora espera que o aumento da oferta e a evolução regulatória ampliem o espaço dos ETFs ativos de tecnologia no Brasil.


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