Queda do IGP-DI em julho, de 0,86%, foi influenciada pelo recuo no atacado, com destaque para matérias-primas, minério de ferro e bovinos, e pela perda de força do IPC

O mês de julho trouxe alívio nas pressões inflacionárias ao longo da cadeia, com recuo nos preços ao produtor e sinais de desaceleração nos preços ao consumidor.

Os dados mostram que a perda de força foi mais disseminada no atacado, enquanto alguns serviços e grupos de consumo mantiveram ajustes variados.

Os números abaixo detalham quais itens mais pesaram no resultado, conforme informação divulgada pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Atacado e IPA, a força por trás do recuo do IGP-DI

O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu 0,86% em julho, após recuar 0,79% em junho, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta sexta-feira, 7. Esse movimento foi determinado principalmente pela queda dos preços no atacado.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) recuou 1,31% em julho, depois de cair 1,36% no mês anterior. Segundo a FGV, o movimento refletiu principalmente as quedas de 3,7% do minério de ferro e de 3,6% dos bovinos.

Os preços das matérias-primas brutas caíram 3,02%, após recuo de 3,19% em junho. Enquanto isso, os bens finais passaram de queda de 0,05% para retração de 0,96%, e os bens intermediários inverteram o movimento e subiram 0,73%, depois de avançarem apenas 0,02% no mês anterior.

IPC e comportamento por categorias de despesa

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) passou de uma alta de 0,36% em junho para queda de 0,08% em julho. Seis das oito classes de despesas pesquisadas perderam força, com destaque para alimentação e transportes.

Na prática, Alimentação, que saiu de alta de 0,47% para queda de 0,87%, enquanto Transportes passou de avanço de 0,10% para retração de 0,29%. Vestuário aprofundou a queda, de 0,52% para 1,22%, e Saúde e Cuidados Pessoais desacelerou, de 0,50% para 0,22%.

Em sentido contrário, alguns grupos subiram com mais intensidade, por exemplo, Educação, Leitura e Recreação acelerou de 0,37% para 1,06%, e Habitação passou de 0,37% para 0,39%.

O núcleo do IPC, que exclui preços mais voláteis, desacelerou de 0,40% para 0,25%. O Índice de Difusão, que mede a proporção de itens com aumento de preços, caiu de 57,42% para 50,97%, sinalizando uma alta menos disseminada entre os produtos e serviços pesquisados.

INCC e custos de construção

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,61% em julho, abaixo da alta de 0,78% observada em junho. No detalhamento, os custos mostraram movimentos divergentes entre materiais, mão de obra e serviços.

Os custos de Materiais e Equipamentos desaceleraram, de 0,56% para 0,31%, enquanto a variação da Mão de Obra passou de 1,15% para 1,02%. Já os preços dos Serviços aceleraram, de 0,15% para 0,37%.

O que significa para consumidores e mercado

Com o IGP-DI em queda e o IPA puxando para baixo, há espaço para menor pressão de custos repassados, embora a dinâmica por segmentos siga heterogênea.

A desaceleração do núcleo do IPC e a queda do Índice de Difusão indicam que a alta de preços está menos espalhada, o que pode reduzir preocupações com inflação generalizada no curto prazo.

Para analistas e consumidores, o cenário sugere atenção às cadeias que ainda registram alta, e monitoramento das próximas leituras do IGP-DI, IPC e INCC para avaliar se a tendência de arrefecimento se mantém.

Fonte, Fundação Getulio Vargas (FGV).


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