Desaceleração do emprego nos EUA em julho, com perda de 23 mil vagas e revisões para baixo que somam 103 mil, elevando dúvidas sobre a trajetória dos juros do Fed

O relatório mensal de emprego mostrou uma surpresa negativa, com a economia americana eliminando 23 mil postos de trabalho em julho.

O resultado ficou muito abaixo das expectativas, e os números de meses anteriores foram revisados para baixo, em um sinal de arrefecimento do mercado de trabalho.

Esses dados alteraram as apostas sobre política monetária e mexeram com os rendimentos e o dólar, conforme informação divulgada pelo Financial Times.

Detalhes dos números

O balanço divulgado pelo Bureau of Labor Statistics apontou perda de 23 mil vagas em julho, ante uma previsão de criação de 80 mil vagas feita por economistas consultados pela Bloomberg.

Além disso, “os números de contratações de maio e junho foram revisados para baixo em um total combinado de 103 mil, para 63 mil e 20 mil, respectivamente”, reduzindo o dinamismo observado no início do ano.

Apesar da perda líquida de postos em julho, a taxa de desemprego caiu de 4,2% em junho para 4,1%, o menor nível desde junho do ano passado.

Reação dos mercados e impacto sobre o Fed

Após a divulgação, os rendimentos dos títulos do Tesouro e o dólar recuaram, à medida que operadores reduziram as apostas em um aumento de juros pelo Fed em setembro.

Os mercados passaram a atribuir cerca de 40% de probabilidade a uma alta de 0,25 ponto percentual no próximo mês, contra quase 60% antes da divulgação dos dados de emprego.

O relatório ocorre em meio a preocupações sobre a capacidade do banco central dos EUA em controlar a inflação, aumentando a pressão sobre autoridades para elevar os custos dos empréstimos.

Setores afetados e sinais de fraqueza

O emprego continuou crescendo no setor de saúde, mas houve perda de vagas nos setores de educação, varejo e serviços financeiros, mostrando um perfil desigual do mercado de trabalho.

Outra fonte de dados, uma empresa de processamento de folhas de pagamento, indicou forte desaceleração das contratações no setor privado em julho, com crescimento do emprego caindo mais da metade, para uma estimativa de 44 mil vagas.

Analistas apontam para uma estagnação definida como “poucas contratações, poucas demissões”, enquanto a movimentação de trabalhadores entre empregadores permanece baixa.

O que observar adiante

Investidores vão monitorar próximas leituras de inflação, comunicação do Fed e dados de emprego subsequentes para avaliar se a desaceleração é passageira ou sinal de esfriamento sustentado.

Também será observado o comportamento dos rendimentos de longo prazo, que subiram na semana anterior depois de comentários do presidente do Fed, Kevin Warsh, sobre pressões de preços relacionadas à guerra no Oriente Médio, e que agora recuaram com os números de julho.

Em resumo, o relatório de julho sobre o emprego nos EUA trouxe sinais claros de arrefecimento, revisão de meses anteriores e maior incerteza sobre a necessidade de novas altas de juros pelo Fed.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *