Florianópolis enfrenta um boom imobiliário, com o CRECI/SC acompanhando a evolução dos corretores, enquanto o mercado se espalha pela Ilha e pelo Continente e redefine a profissão
Comprar um imóvel em Florianópolis já não é só escolher um apartamento, uma casa ou um endereço, a decisão envolve mobilidade, documentação, financiamento e análise de mercado, com foco em valorização e perfil do bairro.
Essa complexidade transformou a função do corretor, que hoje atua como consultor, avaliador e orientador sobre investimentos, financiamento e documentação, além de intermediar a negociação.
No contexto local, a mudança é visível nos números, nas áreas de expansão e na atuação do Conselho Regional, conforme informações divulgadas pelo CRECI/SC, pelo Índice FipeZap e por levantamento da Alphaplan em parceria com o Sinduscon Grande Florianópolis.
Mercado em números e preços, o cenário que explica a mudança
O mercado da Capital catarinense se firmou entre os mais valorizados do país, o preço médio informado pelo Índice FipeZap chega a R$ 13.461 por metro quadrado, colocando a Capital catarinense na quarta posição nacional, em uma dinâmica que influencia decisões de compra e investimento.
À frente aparecem Vitória, no Espírito Santo, com R$ 15.448/m², e as catarinenses Itapema e Balneário Camboriú, com R$ 15.403/m² e R$ 15.295/m², respectivamente, e mesmo assim Florianópolis segue registrando valorização, em que, em 12 meses, o preço médio acumulou alta de 8,50%.
Esse nível de preço faz com que cada variável, como mobilidade, padrão construtivo e oferta de serviços, mude radicalmente a atratividade e o potencial de valorização de um mesmo imóvel.
Estreito e o Continente, onde o mapa imobiliário está mudando
O mercado deixou de se concentrar apenas em áreas tradicionais da Ilha e avançou sobre o Continente, com destaque para o Estreito, que concentrou, em outubro de 2025, aproximadamente 53% do Valor Geral de Vendas (VGV) dos novos empreendimentos da região continental, em um montante estimado em R$ 803 milhões.
Além do volume de lançamentos, a valorização do bairro chamou atenção, enquanto a média de valorização de Florianópolis estava em 8,15% no período analisado, o metro quadrado do Estreito apresentou crescimento de 12,5% em 12 meses, sinalizando mudança no padrão de demanda.
A expansão no Continente decorre da conectividade com as pontes Pedro Ivo Campos, Colombo Machado Salles e Hercílio Luz, e de oferta de comércio e serviços que encurta deslocamentos diários, mudando prioridades de moradores e incorporadores.
Corretor, profissão antiga que precisou se reinventar
A história da corretagem no Brasil tem marcos que explicam sua regulamentação e profissionalização, em que, por exemplo, em 7 de janeiro de 1937, o Ministério do Trabalho reconheceu oficialmente o primeiro Sindicato dos Corretores de Imóveis do Brasil, no Rio de Janeiro.
Mais tarde, em 27 de agosto de 1962, a publicação da Lei nº 4.116 regulamentou a profissão e criou a estrutura dos conselhos, data que se tornou o Dia do Corretor de Imóveis, e em 1978 a Lei nº 6.530 fortaleceu o Sistema COFECI-CRECI com requisitos profissionais e princípios éticos.
Em Santa Catarina, a categoria ganhou estrutura própria em 9 de abril de 1973, com a criação do CRECI/SC, o que ampliou orientação, fiscalização e organização da profissão no Estado, diante de um mercado que crescia em dimensão e complexidade.
Tecnologia e novas competências, o perfil do corretor moderno
A transformação do mercado trouxe ferramentas digitais, anúncios segmentados, visitas virtuais, análise de dados, inteligência artificial e produção de conteúdo para a rotina dos corretores, exigindo atualização constante sobre tecnologia e comportamento do consumidor.
No novo cenário, muitos compradores chegam ao encontro do corretor já informados, por isso o profissional precisa agregar valor com análise de documentação, avaliação mercadológica, orientação sobre financiamento e compreensão do potencial de valorização da região.
Com imóveis que incorporam espaços para trabalho, convivência e serviços, como áreas compartilhadas e coworkings, o corretor passa a orientar não só sobre plantas, mas sobre estilo de vida e retorno do investimento.
O papel do CRECI/SC e os desafios à frente
O fortalecimento da fiscalização e da formação profissional é crucial para que o corretor desempenhe funções além da intermediação, garantindo segurança jurídica nas negociações e orientação técnica sobre documentação, registros e contratos.
Para um mercado com valores elevados, como o de Florianópolis, a atuação do conselho e a especialização dos profissionais ajudam o comprador a tomar decisões informadas, reduzindo riscos e promovendo negócios mais transparentes.
Florianópolis se mostra um retrato da nova realidade do mercado imobiliário brasileiro, onde cada empreendimento, cada bairro valorizado e cada mudança na rotina dos moradores movimenta o setor, e onde o corretor, apoiado por órgãos como o CRECI/SC, acompanha essa transformação.

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