A Agência Nacional de Aviação Civil vai reforçar as inspeções em operações de helicópteros voltadas ao turismo, com atenção especial à documentação, manutenção e condições dos pilotos.
A medida tem como objetivo verificar a regularidade das empresas que prestam passeios e a segurança das aeronaves que operam na cidade, diante da sequência de acidentes registrados nos últimos meses.
As ações de fiscalização serão focadas nos Serviços Aéreos Especializados, especialmente nos voos panorâmicos no Rio, e prometem atuação conjunta com a prefeitura do município.
conforme informação divulgada pelo g1
O que motivou a ação da Anac
O reforço anunciado pela Anac ocorreu após a queda de um helicóptero na manhã de sábado (8), em área de mata próxima à Vista Chinesa, na zona sul do Rio. A aeronave realizava um voo panorâmico turístico em uma região próxima ao Cristo Redentor quando caiu e pegou fogo.
Quatro pessoas morreram, o piloto Alessandro Rocha e três turistas colombianas da mesma família, Sofia Murillo, 17, Wendy Manrique, 37, e Rocio Cubillos, 59.
O serviço era prestado pela Voos Rio Panorâmicos e Serviços Aeronáuticos, e o advogado da empresa, Bernardo Cortez, afirmou que “a empresa tinha toda a documentação em dia” e que não tinha informação sobre o que aconteceu.
A própria Anac havia informado, após o acidente, que o helicóptero tinha certificado de aeronavegabilidade válido e autorização para realizar voos panorâmicos. A apuração das causas da queda caberá ao Cenipa.
Como será a fiscalização
A fiscalização será concentrada nas operações de Serviços Aéreos Especializados, com foco nas empresas que realizam voos panorâmicos no Rio. A Anac disse que quer checar condições das aeronaves, situação dos pilotos e regularidade das empresas.
Em nota, a agência afirmou, “A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) esclarece que está reforçando a fiscalização nas empresas que fazem voos panorâmicos na cidade do Rio de Janeiro”.
A Anac também informou que “pretende verificar a situação das aeronaves, dos pilotos e das empresas que operam no segmento de Serviços Aéreos Especializados (SAE), especialmente em voos panorâmicos”.
Dados sobre ocorrências e volume de operações
O Cenipa registra concentração elevada de ocorrências com helicópteros no estado, segundo os dados disponíveis. “Entre janeiro de 2025 e junho de 2026, foram registrados 317 acidentes e incidentes com helicópteros no Brasil. Desse total, 204 ocorreram no Rio de Janeiro, o equivalente a 64%. Só em 2026, até junho, foram 62 ocorrências no estado.”
O volume de operações é alto, “De janeiro a maio deste ano, foram registradas 81 mil movimentações de helicópteros em 11 aeródromos do estado”.
No país, o tráfego também cresceu, com “160 mil pousos e decolagens nos primeiros cinco meses de 2026, alta de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 2021, eram 104 mil movimentações no mesmo intervalo”.
Reações e próximos passos
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, chegou a defender a possibilidade de suspensão temporária dos voos panorâmicos no Rio, para permitir uma fiscalização mais ampla nos helipontos e na manutenção das aeronaves, visando proteger turistas e moradores.
A Anac, por enquanto, não anunciou suspensão, apenas o reforço das ações de fiscalização, e afirmou que está em contato com a prefeitura para atuação conjunta. A investigação policial e a técnica seguem com a Polícia Civil e o Cenipa.
Auditorias e inspeções em helipontos e empresas devem ocorrer nas próximas semanas, e eventuais medidas adicionais dependerão das conclusões das apurações em curso.

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