Queda do Ibovespa chega à oitava sessão seguida, com balanços do 2T26 e temores fiscais pesando, enquanto o dólar volta a subir e eleva a cautela entre investidores
O Ibovespa fechou em novo recuo e entrou na oitava sessão seguida no vermelho, em um pregão marcado pela repercussão de balanços trimestrais e aversão ao risco local.
O índice perdeu 0,23%, aos 167.100,95 pontos, uma descida de 390,12 pontos, e seguiu sem encontrar suporte, numa trajetória que lembra a sequência negativa de 2023.
No mercado de câmbio, o dólar comercial avançou 0,25%, a R$ 5,193, em sua quarta alta consecutiva, enquanto juros futuros fecharam com altas por toda a curva, em reação a fatores domésticos e externos, conforme informação divulgada pelo InfoMoney e pela Reuters.
Balanços do 2T26 aprofundam quedas e ajudam a explicar fraqueza do índice
Entre os resultados que pressionaram o pregão, houve movimentos extremos: a operadora Hapvida teve o pior desempenho do dia, despencando 33,09%, após sinal de judicialização muito acima do esperado, o que dificulta a avaliação de sua rentabilidade normalizada.
Sabesp também figurou entre as maiores baixas, com queda superior a 7%, depois da divulgação do balanço do segundo trimestre. O Banco do Brasil viu suas ações recuarem, com BBAS3 perdendo 4,16%, apesar de lucro ajustado acima das estimativas, por conta da elevação da inadimplência e de pressões sobre o capital.
Houve, porém, resultados positivos que chamaram atenção, e ações como MRV subiram forte, com MRVE3 avançando 14,29% após números que destacaram melhora operacional no Brasil, e Ultrapar subiu 5,08% com Ebitda acima do esperado e anúncio de dividendos.
Cenário externo e indicador de preços nos EUA influenciam apetite por risco
Wall Street operou em alta, com tecnologia puxando o S&P 500 a novos recordes, após dados de inflação ao produtor nos EUA, o PPI, que ficaram estáveis em julho, aliviando apostas de aperto imediato pelo Federal Reserve.
O economista Vitor Kayo, da Nomad, afirmou que o dado “dá certo conforto de que a inflação segue na direção esperada pelo Fed”, indicando menor pressão por um aumento imediato de juros, segundo reportagens citadas pela Reuters.
Apesar do alívio nos EUA, sinais geopoliticos e fiscais mantêm a volatilidade: o Irã reafirmou controle sobre o Estreito de Ormuz, porém os preços do petróleo caíram no dia, e o governo norte-americano prepara leilão de títulos de 30 anos a taxas mais altas, em meio a temores fiscais.
Dólar e juros, refletem fuga de risco e preocupações eleitorais
No Brasil, além dos balanços, o medo fiscal voltou a ditar o ritmo. Analistas apontam que investidores estão mais precificados para riscos eleitorais e para a continuidade ou mudança do arcabouço fiscal, reduzindo apetite por ativos domésticos.
Gestores internacionais reduziram exposição ao real, e a alta do dólar local, junto com altas nos DIs, mostra que o mercado exige prêmio maior para manter posições no Brasil nas semanas que antecedem a eleição.
Os números do câmbio no fechamento foram claros, com o dólar em R$ 5,193 na venda, mínima do dia em R$ 5,176 e máxima em R$ 5,199, segundo dados do pregão.
Varejo e indicadores domésticos mostram comportamento misto
Nem tudo é negativo na agenda econômica local. A Pesquisa Mensal do Comércio mostrou que as vendas no varejo em junho subiram acima do esperado, com avanço nos setores essenciais, enquanto as vendas de bens a crédito recuaram diante de juros elevados e aumento da inadimplência.
O resultado sugere um consumo que sustenta parte da atividade, mas que ainda é sensível ao crédito e aos juros, o que limita um impacto mais forte e imediato sobre o desempenho da Bolsa.
Para virar o jogo, o mercado busca sinais claros de recuperação do arcabouço fiscal e de redução da incerteza política, bem como resultados corporativos mais robustos, apontam estrategistas e gestores consultados pelas agências, em meio a um calendário de balanços que seguirá influenciando as próximas sessões.
Em resumo, o Ibovespa segue pressionado por balanços do 2T26, por movimentos do câmbio e por preocupações fiscais que mantêm investidores cautelosos, enquanto efeitos pontuais em empresas específicas criam volatilidade setorial, conforme informação divulgada pelo InfoMoney e pela Reuters.

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